sábado, 25 de setembro de 2010

1001 comidas para provar antes de morrer

Esse é o nome do livro (foto) que eu não resisti em comprar em um dia desses tomando café com docinho na livraria.


Fiz um pequeno levantamento e descobri que estou beeem no comecinho, são só 223 comidas já provadas, uns 22%. Tenho muito trabalho pela frente. O livro é demais e os itens estão divididos em Frutas, Hortaliças, Laticínios e Ovos (meu favorito), Peixes, Carnes, Temperos, Grãos, Da Padaria e Doces.

Tem coisas muito curiosas de formas estranhas e nomes mais ainda. O capítulo Carnes para mim foi o melhor, tem jacaré, cobra, barata, canguru, bode, e por aí vai.


Me fez lembrar de listar para provar algumas coisas básicas como pitanga, flor de abobrinha, tamarindo (em homenagem ao Chaves), pato, cordona, etc.
Também reforcei a lista das comidas que preciso dar uma nova chance como figo, bacalhau, frutos do mar em conchas (já postei também sobre isso aqui).

E os queijos, ah os queeeijos, quero provar TODOS!


Ainda to em recuperação na dietinha pastosa, mas deixa o médico me largar por aí… além dessas coisas esquisitas, já tenho uma lista que fiz no hospital semana passada de mais de 20 pratos que preciso comer AGORA.


BEIJOCAS

Ah! com esse livro descobri que UNAGI é um peixe! (para os fãs de Friends como eu)

Felizmente Despedaçada

Há muito tempo não cuidava do blog e agora reencontrei esse lugar, assim como tudo na minha vida ultimamente - um reencontro saboroso.

Para colocar o assunto em dia vou resumir em números o que aconteceu: já estou na marca de 8 cirurgias realizadas em 5 internações e mais 3 pequenas "ações" muito dolorosas no consultório, 80 horas de anestesia geral e um total de 2 meses e 1 semana vivendo em um hospital, sempre com os mesmos 2 médicos. Em 2 anos e meio de tratamento, mais de 10 placas e incontáveis parafusos de titanium já passaram por aqui, 5 dentistas também, e mais 4 próteses, 2 enxertos que não deram certo, 1 breve estadia na UTI , 2 fíbulas e 1 lasca da calvária a menos, peles transferidas de lugar, e ainda muito mas muito tempo sem comer nada com sondinha (já falei dela aqui), e depois com dietas líquidas, dietas pastosas, dietas molinhas, enfim, remendada, em pedaços e com 1 sorriso maior que a vida. :D

Sim, sorrindo, pois são só números de uma história muito maior.

Sempre acreditei que as coisas boas e ruins, principalmente as ruins, acontecem para repensarmos nossas atitudes, para transformarmos a nossa vida em uma experiência muito melhor, achava que por manter isso em mente esse tratamento seria infinitamente mais curto do que é, eu estava completamente enganada.

O comecinho foi um choque, me desesperei, chorei loucamente, mas mesmo assim, desde o começo saí em busca da minha força e até hoje nunca parei de encontrá-la e nem de buscar por mais. Não pude também esquecer de que tem muita gente no mundo passando por provas infinitamente piores que a minha. Com o passar do tempo e das cirurgias, fui me acalmando e me superando, foi esse o motivo do blog lá atrás, em cultivar os sabores do mundo mesmo com todas as limitações da alimentação.

Honestamente achei que mostrar força e praticar eventualmente a caridade fossem a fórmula mágica, mas as coisas não iam bem.

O primeiro enxerto foi absorvido, rejeitado pelo meu próprio organismo, isso acontece em menos de 1% dos casos no mundo, I'm a lucky girl. A primeira reação foi "Por que eu?" mas rapidamente isso foi superado e continuei em frente, resolvi tentar mais uma vez e no dia 14 de agosto do ano passado fiz o enxerto número 2 (fíbula). Poucos dias depois da cirurgia eu já estava desesperada para ir para casa, mas precisávamos fechar um cortinho e isso foi marcado para sexta 21, de jeito nenhum ia passar o aniversário no centro cirúrgico, então dia 20 conseguimos uma "janela". Chegamos lá e estava tudo perdido, TUDO. O organismo tinha rejeitado mais uma vez, e de maneira mais feroz - fiquei pertinho de partir, umas 12 horas aproximadamente. Ah! e isso também acontece em menos de 1% dos casos no mundo, I'm so special hehe

E foi nessa experiência que a venda finalmente caiu e tive que sair em busca de mais, tinha algo de errado com minha magnífica fórmula mágica, ela estava super incompleta. O ingrediente secreto não sei ainda identificar, não dá para definir em uma só palavra só sei que a reforma foi geral, foi aqui dentro e lá fora.

Não quero parecer aquelas loucas que tiveram uma experiência próxima da morte e tal, não foi esse o estopim, foi só mais um alarme de que algo não está certo. A dupla Ansiedade e Angústia tinham sido os piores venenos que andavam comigo até aquele momento.

E foi assim, no cair da venda, que finalmente pude saborear a PAZ pela primeira vez em toda a minha vida (tá, cafona, eu sei, mas não tem outra palavra que se aproxime mais do que é). Não consigo traduzir o tanto como isso é bom e tem um gosto, apenas explico que durante os meus vinte e tantos anos eu sempre tive uma "coisa" aqui no peito, uma sensação que só fui perceber com clareza quando ela se foi, era uma inquietação, uma ansiedade, um treme treme absurdo. Achei que era energia, que era o trabalho, mas no fim isso permaneceu, hoje essa "coisa" deu lugar a uma serenidade, talvez até maturidade, uma respiração imensa, uma sensação deliciosa. Acho que essa é a minha verdadeira força.

Os números mudaram, de lá para cá foram festas, amigos por perto, família por perto, ganhei um sobrinho-neto (pois é), e ainda mais duas famílias, reencontrei pessoas distantes e esse é só o começo. É uma sensação de voltar para a casa.

Muda absolutamente tudo, uma das provas é que eu acabei de passar pela a 7a e a 8a cirurgia para corrigir o lábio que ficou repuxado e ralinho daquela última vez e agora recebi a notícia de que o enxerto "pegou" 100%, pela primeira vez tudo deu certo mesmo.

As pessoas sempre me perguntam "essa é a última cirurgia? acabou?". Não sei, depende de mim e das possibilidades da medicina, se eu quiser melhorar, ter mais conforto, implantes… não posso responder por isso hoje, mas pode ter certeza que não vou desistir, por enquanto, vou ficar um ou dois anos "quietinha".

Esse blog é sobre comer e saborear delícias, e eu não podia deixar de retomar os posts sem falar desse novo gosto que eu conquistei.

Eu amo viver, amo comer e não é uma coisinha como essa que vai me deixar longe disso.

Obrigada!

BEIJOCAS


(já tem mais posts a seguir)

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Pensamento do dia.


Jonas K. (11:50:23 AM) diz:

" Hj vou almoçar algo que faça a vida valer a pena" :D

domingo, 28 de setembro de 2008

Seja bem-vindo de volta, apetite!



Sei que já falei muito isso, mas é uma verdade: recuperação é uma montanha russa.

Não faço um post desde abril e posso me explicar. Não, eu não abandonei o meu blogzinho, digamos que sai por aí procurando por mim e agora estou de volta.

A recuperação tem fases que não passam despercebidas e uma delas foi viver a euforia do reencontro com os sabores dos alimentos.

E foi assim que aprendi que depois de uma grande euforia a queda pode ser grande e feia, como uma montanha russa, depois da subida desci com emoção, eu tive um break down.

O stress da recuperação, a baixa auto-estima (pelas limitações) me puxando o tempo inteiro e a volta para um ambiente de trabalho não muito favorável resultou em um grande caos.

Essa foi uma fase de grande tristeza express curada por uma consequente fase de mudança de vida. E foi assim que optei pelo linear, sem grandes alegrias eufóricas ou grandes tristezas, me deixando abalar menos pela longa recuperação e seus prazos furados.

Para resumir o tempo sem posts, a batalha da recuperação continua, fiz uma quarta cirurgia para fechar o corte que abriu (e continua aberto mesmo depois, great né? paciência? nunca tive tanta.), altos e baixos de emoções e as limitações alimentares de sempre só com um pouquinho mais de ousadia.

Recuei. Um pouco da vida, um pouco das mesas e dos grandes banquetes e, principalmente, dos sonhos culinários aqui postados anteiormente. Recuei com o objetivo de me recompor, de ganhar energia e recuperar meu apetite, não só aquele de comer mas o apetite para a vida.

Depois do break down perdi o peso que havia ganhado no pós-inferno-hospitalar e quase voltei ao ponto inaceitável de partida, perdi energia. E foi assim que entendi que a alegria constante e gigantesca nem sempre é a verdadeira. Também aprendi que é fundamental tirar um pouco da pressão, de vez em quando, permitindo pequenos momentos de tristeza e indignação, mas jamais a perda de apetite! (jamais!)

Por um bom tempo achei que continuar blogando sobre meus sonhos de comida e não realizá-los, e pior, sem data para, estava ficando repetitivo e alimentando em mim uma auto-dózinha (péssiiiimo).

Nesse tempo de reestruturação pessoal eu passei a aceitar um pouco mais as minhas limitações pós-trauma e me admirar um pouquinho pela força de passar por tudo isso e de aceitar que ainda não acabou. (Não quer dizer que não tive minhas crises, claro que tive! é normal, poxa! e super aceitável, ta?)

E foi assim que, aos poucos, fui recuperando meu apetite para a vida bem como o meu peso e com isso descobri maneiras de aproveitar um pouco mais o que a mesa tem a oferecer.

O dia que marcou a fase "transformação completa" foi quando descobri que conseguia comer um pão francês. Simples assim. Faz pouquíssimo tempo e lembro com todos os detalhes da sensação maravilhosa que me ocupou.

É incrível a adaptação do corpo humano! Com um grande corte dentro da boca ainda aberto e um segundo cenário que ainda não estou pronta para expor, encontrei um jeitinho especial e sem dor para tornar esse período bem mais alegre.

Pão francês é um alimento divino e muito básico, fiquei muitos meses sem poder nem ver e agora como com alegria! Como ainda não posso morder o alimento pela frente, corto o pãozinho com minhas mãos e vou saboreando, demora muito mais, claro, às vezes dá preguiça mas sou persistente e vale cada pedacinho.

O pão francês marcou muito e depois dele fiquei super ousada (mas com moderação e me cuidando, viu doutor?!), abri um pouco mais meu cardápio de coisas possíveis, claro que sempre com um jeitinho especial. Voltei a comer algumas coisas crocantes que antes eram banidas logo de cara. Impressionante como sentimos falta de texturas no nosso cardápio, faz uma enorme diferença.

E foi com essa ousadia e jeitinho que consegui voltar para o meu peso. :-)

E não demorou muito para ter de volta meu apetite, estava apenas esperando me acostumar com ele, sem euforias, para voltar a postar as maravilhas culinárias que encontrei por aí.

Tenho muitas fotos de coisas deliciosas para postar.

Is good to be back!

Seja bem-vinda nova vida, seja bem-vindo apetite!

Boa noite.

domingo, 27 de abril de 2008

Resoluções de sabor.

Passar por dificuldades desperta na gente uma vontade de ser melhor e pedir por uma chance de fazer diferente, um grande clima de resoluções de vida, como as do fim do ano.

Depois do que passei e ainda estou vivendo, foi inevitável a confecção de uma série de listinhas de resoluções. No hospital temos bastante tempo para pensar nas coisas, fiz listinhas para tudo: vida pessoal, saúde, trabalho, amigos, amor e é claro que também para a comida.

Pensei em uma série de itens que preciso saborear assim que puder, quando a dieta mole não for mais um assunto freqüente nesse blog e na minha vida.

Dividi as minhas resoluções do sabor em três áreas.

Começo pelos eventos gastronômicos da cidade (São Paulo) que eu sempre quis conferir mas por motivos diversos e que não consigo lembrar, nunca fui. Lacunas vergonhosas para uma paulistana que leva comida tão a sério como eu. Listei apenas três, não queremos abraçar o mundo de uma só vez, não é?

Festa da Nossa Sra. Achiropita. Sabor de fé, de ação social e de comida farta. Festas tradicionais como essa me fascinam. Todo ano assisto no noticiário aquelas pessoas sorrindo, cantando e passando com aqueles pratos de papel alumínio cheios de macarrão e, todo ano, tenho vontade de me juntar a eles. Uma celebração muito linda regada a carboidratos, muito especial. No site (http://www.achiropita.org.br/) encontrei um dado que não conhecia, uma das atrações especiais da festa é o queijo provolone com dois metros de comprimento e mais ou menos 100 quilos, fiquei emocionada.

Feirinha da Liberdade. Preciiiisooo. Esse grande buffet a céu aberto deve ser mais do que divertido. Passear por uma rua e a cada poucos passos poder saborear Yakissobas, tempuras, guiozas, sushis e outras delícias, para mim é um evento imperdível, preciiiisooo. Confesso que o que me atrai na feirinha são os salgados, não sou uma apreciadora dos doces japoneses.

Mercadão. Esse deixei por último por que é realmente uma vergonha. Mas com muita coragem assumo e deixo registrado: eu nunca fui. O que me desperta nesse evento não é somente o sanduíche de mortadela gigante, é tudo o que esse ícone da cidade oferece. Quero provar o Mercadão além dos seus clichês, todas as suas delícias, os petiscos, as frutas, os queeeeeijos, quero deixar que ele me surpreenda.

A segunda resolução da minha lista foi inspirada no livro que estou lendo, O homem que comeu de tudo, escrito por Jeffrey Steingarten (genial!). Ele começa a sua “aventura” enfrentando suas repulsas no mundo da culinária mundial. Para isso, ele se apega a uma teoria comprovada de que, após provar 10 vezes um prato (ele conta com detalhes isso e é claro que eu não contarei aqui), você é capaz de acabar gostando dele. E foi isso que ele fez, foram poucos os casos que não conseguiu reverter a situação.

Isso é o que eu chamo de resolução: transpor suas barreiras.

Para começar, fiz uma lista grande das coisas que não gosto de comer. Coisas que já tentei e não consegui, mas talvez nunca tenha tentado dez vezes. Para essa tarefa listei apenas três das minhas maiores aversões culinárias:

Bacalhau. Eu sou filha de uma portuguesa que cozinha muito e nego minhas raízes por não gostar de Bacalhau. É uma vergonha (outra). Na minha casa esse é um prato quase dia-a-dia, conheço pessoas que adorariam morar aqui somente por este fato. Lembro que quando íamos para a casa na praia, o prato rápido que minha mãe fazia era bacalhau cozido com legumes e banhado em muito azeite e, para Heloisa (me!), um sanduíche ou uma lasanha da Sadia. Affeeee. Preciso enfrentar essa minha porção filha desnaturada e aproveitar o que a vida me proporcionou, Bacalhau à moda portuguesa, de verdade.

Mariscos e seus amigos. Esse item também consta na lista de repulsas do livro, nela Jeffrey narra com genialidade seu medo pelos cantos obscuros que existem além daquela carne, dentro da concha. Ao ler esse trecho conectamos! Ele falou comigo (profundo isso?). Me fez pensar sobre essa minha repulsa e questionar se ela existe devido aos cantos escondidos e misteriosos da conchinha. Seria isso? Seria a sua aparência de cérebro de um pequeno ser monstruoso do mar? Ou seria sua textura duvidosa? Motivos e teorias de lado, preciso ao menos tentar perder esse medo, esses amiguinhos aparecem em diversos pratos que aprecio. Mas, enquanto o dia de ticar a lista não chega, conchinha para mim só a de abraço na hora de dormir.

Coelho. Esse é um medo de infância. Minha mãe tinha um tio que criava coelhos no quintal da casa dele. Eu adorava brincar com eles. Além de querer levá-los para a casa, ainda era uma fase que eu associava aquelas coisas fofas com uma outra mais fofa ainda, a do coelho que me trazia chocolate embrulhado em papel de presente. Uma relação de amor tinha sido estabelecida ali. Certo dia, cheguei na casa do tio e não encontrei mais os coelhos que vi crescer, descobri que eles tinham virado o almoço, detalhe: descobri isso depois de comer. Um filme de horror para uma criança cheia de amor. Desde então, coelho nunca mais, mas agora estou disposta a tentar provar esse prato novamente.

Por último nas minhas resoluções do sabor: mais lacunas. Coisas que adoraria provar mas nunca fiz por medo e/ou por acabar optando por outros pratos do cardápio no momento de pedir, escolhas mais seguras. Novamente listei apenas três:

Cordeiro. Você já passeou pelo shopping ou folheou a Vejinha e se viu babando naquela foto linda de anúncio de uma costela de cordeiro? Eu já, várias vezes. Aquilo me tira do sério. Já me disseram que não é tão saborosa quanto parece, mas eu preciso provar aquilo. Talvez minha fantasia tenha um sabor bem mais delicioso do que a realidade, mas é um risco a correr.

Vieiras. Jamie Oliver me catequizou e eu sairei em busca da descoberta das vieiras. Um mundo aparentemente bem mais delicioso. Elas são lindas e brilhantes e é o único caso que eu não ligo de ter saído de uma conchinha, não até eu prová-las.

Perdiz. Chique, perdiz. Tenho certeza que o que me manteve longe delas foi a aparência na hora de servir. Muitos amigos me dizem que é uma delícia, mas toda vez que vou provar acabo amarelando. Eu preciso preencher essa lacuna que chega a afetar minha vida social. Esse item não me provoca tanta vontade quanto os dois primeiros mas age no meu medo de coisas de aparências que não me agradam mas que podem surpreender no sabor.

Depois de todas essas lacunas e repulsas, concluo que eu não sou chique como achava que era. Chega de revelações por hoje.

Apesar disso, as minhas resoluções/revelações me deixaram animada e com força para uma recuperação mais rápida. Mal posso esperar para andar por aí ticando minhas listinhas.

segunda-feira, 21 de abril de 2008

Comida, um presente.

Domingo é um dia movimentado com visitas para quem está em recuperação. O ritual é uma delícia, cheio de carinho, histórias, cafézinho, às vezes flores e presentes.

Ontem não foi diferente.

Minha tia, uma pessoa que ninguém entende o por que ela não abre uma confeitaria (ou seria uma doceria? confeitaria, não vejo as pessoas usarem essa palavra), me trouxe um lindo presente: uma grande e linda torta holandesa, feita por ela, é claro.

Uma pausa: De acordo com o meu pensamento do mood food (veja nos posts anteriores), a torta que ganhei, além de ser feita com gostosuras, também tem carinho de família e pensamentos positivos para uma rápida recuperação. Sabor mais do que especial. Hummmmmm...

É de longe a melhor torta holandesa que já comi. Um presente memorável.

Como todas as mulheres da família a minha tia também é exagerada, me presenteou com uma torta deliciosa e enorme. Meu tipo de comida, farta.

Olha que linda a fatiazinha (foto), parece um bolinho de aniversário.


Não sei como ela consegue, o creme é delicioso, docinho (mas não muito, no ponto) e leve, aerado.

A cobertura é uma camada de felicidade, às vezes penso que é um mousse (um mousse ou uma mousse? don’t care, é delicioso), às vezes concluo que é uma trufa de chocolate.

A massa é fininha e molhadinha, na primeira garfada você já percebe que é feito com biscoitos, para mim, essa massa é a combinação perfeita para receber o creminho que define que essa torta é gênio!

E o toque final: rodeada de bolachas Calipso (aquela banda quase estragou meu apreço por essas delícias. Quase! O sabor deve sempre prevalecer), adooooooro.

Acho um máximo pessoas que presenteiam com comida. Quando é preparado por você, mostra o quanto gosta da pessoa. É muito especial.

Quando você vai visitar um amigo que está doente uma das opções é levar uma caixa de chocolates, nos filmes, as boas vindas a um novo vizinho são seladas por uma torta de maçã ou uma cesta de muffins. Isso me faz questionar: por que não ganhamos comida em nossos aniversários?

Eu já ganhei lá lá lá lá :-P

Foi uma vez e nunca mais esquecerei. Tenho uma tia (outra) que faz as melhores empadinhas do mundo. Não tem jeito, toda vez que provo uma empadinha em um lugar novo eu lembro da Tia Dê, até agora nenhuma me fez mudar de opinião.

Alguns anos atrás encontrei a Tia Dê e passei horas elogiando as empadinhas que ela faz. Acho que exagerei, falei tanto que no meu aniversário daquele ano ela me presenteou com 100 empadinhas, isso mesmo, 100. Não pressionei nem dei indiretas, eu juro, eu acho. Foi um presente muito especial.

Eram 50 empadinhas de palmito e 50 de frango, minhas favoritas.

A massa que ela faz é inexplicável, quando provo empadinhas por aí a massa nunca está em um ponto fantástico como as das empadinhas da Tia Dê. Ou estão muito oleosas ou desmancham muito fácil. A massa feita por ela permite que você dê uma mordida com vontade sem que tudo se desmanche, perfeita!

Empadinha é demais, só não ganham das coxinhas no meu Top Comidinhas. Parecem pequenas panelinhas comestíveis e assadas que guardam uma gostosura dentro.

Comida, um grande presente.

Aí vai uma dica, uma indiretinha, talvez... meu aniversário é só em agosto, mas antes disso temos muito o que comemorar, não?

domingo, 20 de abril de 2008

Criança outra vez.

Quando falei que nasci de novo não contava que ia ser tão fiel a essa expressão. Baby steps para quase tudo.

Comer é uma delas. Primeiro foram os líquidos e agora as coisas moles, amassadas, desfiadas e fáceis de comer. Como um bebê (que fofa eu).


Tudo com sabor de infância, sabor de cuidado de mãe. Tem sido uma grande experiência e
uma das partes mais agradáveis da recuperação.

Ando comendo coisas de crian
ça, mas o meu apetite continua como sempre, o de uma pessoa grande e faminta que gasta boa parte de seu tempo sonhando com comida.

O mundo de refeições de uma criança tem suas (muitas) delícias, co
isas que não sei por que abandonamos com o tempo. A dietinha é uma grande desculpa para eu comer o quanto quiser em papinhas da Nestlé. hummmm.

Gosto das de frutas apenas, as sopinhas não me pegam, com suas combina
ções muito estranhas elas não fazem nem cócegas no meu apetite. Mas é compreensível, são feitas para bebês e não para mulheres de 25 anos que estão em busca do sabor.

As papinhas doces. Adooooro. Por que a gente não continua
comendo coisas assim depois que cresce? Será que temos vergonha de comer direto daquele potinho fofo? Eu não sei a causa que me manteve distante dessas delícias mas fico feliz por ter voltado para elas. A titia promete não mais abandoná-los, potinhos lindos.

Minhas papinhas (foto), aposto que despertará vontade em
você.


Na minha dietinha não entram somente as papinhas da Nestlé. Minha mãe faz um prato lindo com banana amassada no microondas, açúcar e canela. Não fico um dia sem. Delicioso! Ela também acrescenta de vez em quando no cardápio creme de abacate. Minha mãe arrasa!

A experiência de ser criança outra vez nessa recuperação não está somente nas saborosas papinhas e coisas nutritivas. Essa semana, depois de muito tempo, fui ao Mc e pedi um lanche feliz.

Para as crianças, ir a uma lanchonete é um evento e para mim não foi diferente. Fiz questão do brinquedinho e tudo, o evento quase completo. Quase por que compramos do drive-thru.


Comi um Mc Molinho, o item mais adequado para minha dietinha, um cheeseburguer. Um e meio, na verdade. Me trouxe felicidade. Para mim, cheeseburguer tem o mesmo efeito que um chocolate, traz carinho e conforto.


Já levou uma criança ao Mc? Ela demora horas para comer uma caixinha de nuggets enquanto você, adulto formado com apetite voraz, em um piscar de olhos, come dois sanduíches, alguns nuggets da caixinha da criancinha (para ajudar, claro), batatinhas e um sundae com calda extra de caramelo (talvez eu tenha descrito um Mc pedido meu em dias de boa forma, talvez, you’ll never know). E foi assim, como uma criança, que comi meu cheeseburguer e meio, muito devagar e feliz por estar ali. Detalhe, comi com garfo e faca (é a única maneira que consigo no momento, sem graça, né?), isso explica o drive-thru.

A lentidão que preciso aplicar na hora da refeição vai diminuindo meu apetite e assim acabo comendo menos que o habitual. Segredo de toda a dieta para perder peso. Frustrante para uma pessoa que normalmente pede o cheeseburguer como acompanhamento do lanche de verdade mas, baby steps, eu voltarei à forma em breve. Apesar disso, meu evento foi muito bacana, me trouxe felicidade e um brinquedo.

Uma pausa: cheeseburguer do Mc não é suficiente para ticar o item Cheeseburguer da minha lista do Top 5. Não conta, é café-com-leite.


Nem tudo precisa ser de criança ao pé da letra, podemos fazer uma releitura do prato como fazem os chefs de cozinha. Ontem foi assim. Crianças adoram ir ao Habib’s assim como apreciam o Mc, o Burger King, o Bob’s e até mesmo o Girafas (esse preciso conferir um dia, o cheeseburguer com o que parece ser um omelete e bacon na propaganda me deixam com vontade. Se não for ovo naquilo, por favor, não estraguem minha fantasia), é o mesmo tipo de evento.

Eu adoro culinária árabe, mas a minha criança dessa recuperação não teve muita voz nesse episódio, eu não poderia encarar um Habib’s nesse momento frágil que me encontro. Peço desculpas aos apreciadores da rede e à minha criança interior. Releitura é o que chamei ontem, fazer um pedido de um restaurante árabe sério.

Minha releitura do evento Habib’s: uma esfiha de verdade de carne e outra de queijo (foto). Aproveitei a ocasião e encontrei meu velho amigo, o queijo derretido (again, o cheeseburger do Mc não conta) nunca fiquei tão longe assim dele. Queeeeeijo. Poderia ficar repetindo isso o dia todo: queeeeeeeeeeeeijo.

Apesar de delivery e nenhum brinquedo, para mim foi um grande evento, fiel às sensações de uma criança no Habib’s. Releitura com sucesso. Criança grande feliz. :-)